Austrália - O Filme


Dia 23 de janeiro aconteceu a estreia de Austrália no Brasil. Duas horas e 53 minutos de ação romântica e épica (1900 e lá vai picos). Assisti quietinha e enxugando lágrimas de vez em quando, por causa de um aborígine. O filme classificado dentro da categoria Drama, estreou também em Porto Alegre, na terça, 23, com casa quase cheia, público adulto e muita expectativa porque a mídia já anunciava que o filme deveria estar entre os melhores que concorrem ao Oscar. Pra mim, que sou cinéfila, foi a glória. Já ganhou. Mesmo sem eu ter visto os demais concorrentes, somente o magnífico O Curioso Caso de Benjamin Button.

O Diretor Baz Luhrman fez de Nicole Kidmann a Lady Sarah Ashley, uma aristocrata inglesa que viaja à Austrália para tentar salvar sua fazenda de gado, ameaçada pelos ataques japoneses durante a 2ª Guerra Mundial. Em papel invejável (como sempre) a mocinha briga quase uma hora e meia com feio-bonito Hugh Jackman, o Capataz, um rude habitante do lugar que lhe ajuda na retirada do gado da fazenda.

Mas quem arranca as lágrimas do público é ator aborígine Brandon Walters – 13 anos, Lullah, que Baz escolheu entre centenas de aborígines para o papel coadjuvante principal. Enfiou o menino num estúdio e lhe ensinou a ser ator. Pois bem, o franzino aborígine, de pele cor de chocolate ao leite, com olhos expressivos e brilhantes muitas vezes aguados de tristeza; a sua força de menino do mato, a sua fala mansa e ingênua emociona. Emociona de verdade. De fazer chorar de peninha dele. Ele é tão belo e forte dentro do seu humilde calçãozinho, sem camisa, descalço e descabelado, que conseguiu fazer o funga-funga dos narizes da plateia vir à tona.

As duas frases mais tocantes foram as mais simples. Uma, quando o cunhado negro do Capataz diz a ele para ir atrás da branquela aristocrata porque “um homem sem amor é um homem sem sonhos e sem história”. E a outra, depois de atravessar quilômetros e quilômetros de um dos terrenos mais belos e ao mesmo tempo mais inóspitos do mundo, onde o público foi brindado com cânions, pradarias, desertos, rios, terra vermelha, envolvendo o casal inglesa/capataz, ela olha apaixonadamente nos olhos dele e diz “vamos para casa?” e ele diz “é, sem dúvida, o melhor lugar”.

Um espetáculo cinematográfico inesquecível e, se quiserem uma sugestão, imperdível. Ah, guardem o guardanapo da pipoca para o caso de algumas lágrimas.

Janeiro/2009

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