Autorretrato

Parte I - Cronologicamente Eu
Nasci numa terça de 1955.
Com 1 ano posei com um vestido pobre, mas limpinho.
Aos 3 brincava sem brinquedos na porta do Café Brasil.
Aos 10 fiquei órfã de pai.
Aos 11 tomava leite em pó doado pelo FAC.
Aos 13 sangrei.
Aos 15 não tive festa nenhuma.
Aos 20 perdi um concurso de beleza.
Aos 21 roubaram o meu grande amor.
Aos 23 fui buscar outros mundos.
Aos 24 levaram minha inocência de interiorana.
Aos 30 fiquei sem marido.
Aos 33 matava um leão por dia pela dignidade da minha cria.
Aos 34 o Collor confiscou minha poupança.
Aos 42 minha Agência de Publicidade foi pelo ralo.
Aos 45 fiquei desempregada.
Aos 50, descobri que nada me abatia.
Parte II - Os entremeios
Fui beijada em público ainda criança.
Ganhei um lindo palhaço de pano.
Toquei na “bandinha” do Colégio Santa Rosa.
Descobri ter tendências intelectuais e ao romantismo.
Venci alguns concursos Literários e concursos de Canção.
Meus escritos foram elogiados. Meus olhos também.
Conquistei centenas de amigos com meu sorriso franco.
Ganhei algum dinheiro escrevendo coisas.
Fiz teatro na Universidade.
De cima dos meus 1,54cm de altura, recebi assobios mil.
Morei anos na Grande Porto Alegre.
Visitei Mário Quintana no hotel onde morava.
Conheci parte do Brasil. A trabalho.
Cursei Letras e Comunicação Social.
Aproveitei todas as portas que se abriram.
Travei um namoro eterno com a cultura.
Entrevistei gente importante.
Vivi momentos românticos, suaves, prazerosos.
Tirei notas máximas em Redação I, II, III e IV.
Meu ventre sagrado aumentou. Tive a graça de ser mãe.
Conheci outra parte do Brasil. A passeio.
Vasculhei bares, cinemas e teatros de Porto Alegre.
Fui reconhecida profissionalmente.
Li montanhas de livros. Assinei dezenas de revistas.
Viajei pela América Latina realizando sonhos.
Completei os 52 sem rugas ou marcas de expressão.
Registrei minhas marcas: batom vermelho, lápis preto nos olhos, perfume Paloma Picasso e falar com as mãos.
Parte III - Hoje
Vivi cinco décadas. Sou grata a Deus pela oportunidade.
As perdas de ontem levaram-se a um ganho maior hoje.
Fiquei mais forte com as dificuldades.
A tempestade foi uma ótima professora.
As adversidades aumentaram minha auto-confiança.
Dispensei as tristezas, os problemas, os dissabores.
Adotei o alto-astral e a alegria de viver.
Tempos difíceis me ensinaram o que é melhor para mim.
Aprendi sobre respeito, sinceridade e lealdade.
Não são mais a mulher de ontem. Hoje sou inteira.
Nada ganhei de graça.
Corri atrás de tudo, com perseverança, trabalho e fé.
Conservo meu sorriso e jeito maroto. São bons companheiros.
Alimento minha auto-estima beijando e abraçando.
Adoro crianças, jovens, adultos, velhos.
Adoro gente.
Amo incondicionalmente.
Não paro de explorar o mundo que me deram.
Nunca vou parar.
Parte IV - Meus ídolos
1) Minha mãe Nilva, que deu-me a vida e ensinou-me os primeiros passos para esse grande passeio pelo mundo.
2) Madre Teresa de Calcutá, que ensinou-me através dos
meios de comunicação:
“... tua força e convicção não têm idade;
atrás de cada conquista, vem um novo desafio;
não deixes que enferruje o ferro que existe em ti;
quando não consegues correr, trota;
quando não consegues trotar, caminhe;
quando não consegues caminhar, use uma bengala.
Mas nunca te detenhas”.
Março/2008




























Uma viagem à vida. Dos semáforos às praias incendiadas da mente.
Adorei. E voltarei para reler. É que, apesar das diferenças de fuso, de hemisfério, de sexo, de tanta coisa, temos muito em comum.
Apesar de tudo, perdeste o pai aos 10 anos. Eu, aos 10, já não tinha pai nem mãe...
Beijinho.
Oi Armindo, que lindo comentário, fiquei emocionada. Agradeço de coração. Você tem blog? Bom Carnaval. Um abraço.
Olá.
Sou o Poeta_da_alma, no Netlog.
tenho passado por aqui, a maior parte das vezes em silêncio.
Desta feita, soube-me bem comentar.
Beijo