Dirigir e Cozinhar, Nem Pensar

Todo mundo fica pasmo comigo quando falo que não gosto de dirigir automóvel. Como se dirigir e ter automóvel fosse prova ou coisa que o valha de mulher moderna, que sabe o que quer, que nada teme e nada deve. Sou tudo isso aí, mas sem dirigir. Não gosto e nem tenho a mínima vontade de gostar. Assim como não gosto de cozinhar, de cozinha, de panelas e todas as suas variantes. Acho, sinceramente, que tem segmentos na vida da gente, para os quais a gente não tem habilidade e pronto. O raciocínio é simples.
Não gosto muito de regras, acho que aí reside a definição para minha aversão a dirigir. Não gosto de fazer coisas das quais não tenho absoluta competência (dizem que isso é um traço da personalidade). E vocês hão de concordar comigo que, para dirigir e fazer o almoço tem regrinhas de montão. Parece um ritual. Dirigir, então, sempre as mesmas instruções a serem seguidas. Se a gente muda, a gente se lasca. Cozinhar tem menos regras, mas tudo começa e acaba da mesma maneira. Abre-se portinholas, suja-se mil utensílios, ninguém elogia nada e o ato se consuma depois da louça lavada e fechadas as portinholas.
Mas, voltando às vias da “direção”, por força das circunstâncias, há alguns anos dirigi o carro da empresa onde trabalhava, mas sempre com um pé atrás, ao invés de estar nos pedais das mudanças. Eu subia em calçada, saia da pista, esquecia de ligar os faróis em dia de neblina, deixava luz alta na cara do cara que vinha em minha direção, isso para enumerar apenas as coisas mais bobinhas, porque na verdade, fiz coisa pior. Mas isso é assunto para o Detran.
Segundo a opinião de outras pessoas que não dirigem e não querem, como eu, carregar este peso, nós representamos um perigo para a sociedade. Então ficamos quietos em nosso canto. Quando me perguntam como vivo sem automóvel, respondo que tenho seis opções de locomoção: expresso canela, carona, trem, ônibus, táxi, navio e avião. Já tive uma sétima opção quando pesava míseros 48 quilos. O vento forte do inverno da Serra Gaúcha.
Nunca deixei de fazer um programa, conhecer um lugar, passear, conhecer pessoas por não dirigir. Escolhi ser caroneira, passageira, companheira de viagem. Gosto de não me preocupar com o trânsito (embora fique atenta em todas as situações), gosto de ler tudo o que aparece nas laterais das rodovias, gosto de pensar durante as viagens, fazer rabiscos, planejar coisas. Gosto de ler e ouvir música enquanto alguém dirige para mim.
Pode parecer egoísmo, mas não é. É uma questão de escolha (escolhi gastar a grana da gasolina, da manutenção e do IPVA em viagens de turismo) e de aguentar a cara de surpresa das pessoas seguida da exclamação: “eu não acredito que você não dirige!”. Sou tão desligada dessa paranóia de carro do ano que, para mim, tudo ainda é Fusca, Corcel, Fiat 147, Opala e Chevette.
Fevereiro/2009




























Tens toda a razão, TODA. Até porque tu ao volante, perigo constante, saiam da minha estrada!
Por quê te mantém anônimo? Quando você diz "tu ao volante", parece que me conheces... e se me conheces, sabes que jamais ficaria brava com um comentário feito a um escrito meu. Este blog é aberto, portanto estou sujeita a chuvas e trovoadas. Um abraço.