Namastê

O cumprimento “namastê” dito na Índia sempre que se encontra com alguém, quer dizer: “o divino em mim saúda o divino em você”. Vejam que coisa mais linda. Para os hindus, cada um de nós é uma divindade, uma tradução da essência e das leis espirituais que governam todos os seres. Assim, eles desenvolvem a compaixão e a conexão com tudo o que os rodeia. A composição da expressão vem de duas palavras sânscritas: Nama (reverência, saudação) e Te, que significa você. O gesto que os hindus nos ensinaram consiste em juntar as palmas das mãos em frente ao coração e inclinar levemente a cabeça para frente. Assim, desenvolvemos a compaixão e a conexão com tudo o que nos rodeia.
Frequentemente tenho recebido mensagens pela internet com esse cumprimento no início ou no final. Minha professora de Yoga utiliza essa palavra para finalizar a aula. Há algumas pessoas que já dizem a palavrinha mágica por aí, nas ruas, na hora do encontro com alguém que gosta.
Estou achando isso sensacional. Se for preciso que venha uma palavrinha tão bonita, de tão longe e de outra cultura para nos saudarmos com amabilidade, que venha. Não sendo americana, já está de bom tamanho.
Alguém me falou um dia que a honestidade estava na moda. Não faz muito tempo, isso. Espero, sinceramente, que ela continue. As bibliotecas estão cheias de livros falando sobre espiritualidade, auto-ajuda, biografias de pessoas que foram e ainda são um bom exemplo. Agora, para completar, pinta em nosso dia-a-dia essa palavrinha fantástica. Então, namastê para quem está lendo este texto.
Não vejo a hora que outras expressões desse tipo sejam inseridas em nosso vocabulário. Não gostei quando apareceram aquelas baboseiras de hot dog, black tie, dancing days, marketing. Depois odiei quando se infiltraram na nossa língua a dance music, headhunter, business. E para completar e encher o nosso dia chegou o nerd e o e-mail. Essas palavras nada têm a ver com o namastê. Elas comem nosso vocabulário, elas passam por cima como um rolo compressor. Haja paciência. Quem ama a língua portuguesa é fatalmente atingido por esses palavrões.
Namastê, não. É suave e já vem com uma filosofia de mais de 5.000 anos. E o inclinar de nossa cabeça ao pronunciar esta palavra nos reporta ao respeito e à sabedoria. Isso é bonito. Isso nos ensina. Isso é bom de pronunciar. E não dói o pescoço.
Se você simpatizar com essa palavra, use-a. Porque ela significa que o melhor de você saúda o melhor do outro. Tem algo melhor?
Julho/2008




























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