Respeitar é não fazer ao outro o que não gostaríamos que fizessem conosco

Pelo dicionário, trote é um substantivo masculino que significa o andamento natural dos cavalos, entre o passo ordinário e o galope; significa também troça, escárnio, vaia, intriga, indiscrição, geralmente feita por telefone. Significa outras coisas mais, mas vou ficar por aqui. Nem vou entrar no mérito de descrever o que é um trote universitário e nem escrever sobre os dois que chocaram o nosso país na última semana. Vou me deter na atitude que é desencadeada do cérebro de uma pessoa em relação ao corpo de outra, com a intenção de prejudicá-la.
Não sou médica, psicóloga, psiquiatra, nada disso. Não entendo nada do cérebro humano. Nada estudei sobre ele. Não é minha área. Sou uma cidadã comum que conhece seus direitos e deveres junto à sociedade em que vivo e justamente por ser comum, foge do meu conhecimento o sentido dessa barbárie que é machucar alguém com intenção real. Não consigo assimilar o fato de que uma pessoa, dotada das mesmas condições físicas de outra pessoa, possa se utilizar de métodos violentos para provocar dor e sofrimento aos outros.
O que será que se passa na cabeça do agressor naquela hora? O que será que ele sente quando vê a primeira marca no corpo de sua vítima? Quando se deita para dormir, o que será que povoa sua mente? Quando a mídia conta e mostra para todo o país sobre a sua brutalidade, será que fica com medo? Será que lhe surge uma ponta de arrependimento? Quando esse agressor olha para os olhos de seus pais, o que será que pensa?
Pessoas e pessoas. Penso que existem dois tipos: as boas e as más. Conheço uma pessoa boa que me ensinou sobre “respeito à vida do outro”, não importa quem é o outro. Se é gente, bicho ou vegetal. Meu sobrinho de onze anos matou, sem querer, um pássaro no sítio da família. Ao pegar o corpinho da ave sem vida nas mãos começou a chorar um choro tão emocionado que seu peito arfafa, quase não dando conta de respirar. Beijou sua cabecinha, conversava com ele, cavou um buraco em terra macia, numa sombra, colocou o Canário bem colocadinho, tapou, fez uma montanhazinha de terra, cruzou dois pedacinhos de paus, fez uma cruz com uma borrachinha improvisada. Terminou a cerimônia colocando algumas flores minúsculas perto da cruz e disse a seu pai: “pai, você me ajuda a cuidar da esposa e dos filhinhos dele?” Assisti a cena com lágrimas nos olhos e imaginei a dor que ele estava sentindo, já que chorava sem parar.
O que tem a ver a história do pássaro com o trote universitário? Nada. E tudo ao mesmo tempo.
Fevereiro/2009




























Seu sobrinho é mais maduro e sensível que muitos veteranos universitários.
Exatamente isso que a crônica quis dizer. Há pessoas e "pessoas".