Adrenalina a Mil


Dia desses uma amiga deu-me a sugestão de escrever sobre “finais de campeonatos”. Tenho certeza que ela sugeriu esse tema porque, nas últimas semanas, viveu momentos agitados, nervosos e inquietos, esperando o final de um campeonato que mexeu com os nervos do Rio Grande do Sul.

Interessante esse momento de paixão esportiva que as pessoas vivem, geralmente, uma vez por ano. Após um período de confronto entre atletas de qualquer modalidade, vem a decisão para anunciar quem é o campeão.

É aqui que a adrenalina passa a ser a mola propulsora dos torcedores (entende-se por adrenalina: substância de propriedades hemostáticas extraída das glândulas supra-renais, cuja função acelera os batimentos cardíacos para aumentar o fornecimento de sangue, deixa o raciocínio mais rápido, dilata as pupilas, melhora a visão, e faz os pulmões trabalharem muito mais). O nosso organismo está preparado para lidar com esses picos disparados pela adrenalina. O problema é viver incessantemente sob esse efeito no final de um campeonato.

Não importa qual sua nacionalidade, sua bandeira ou seu time. Não importa onde você mora, o que você estudou, em que você trabalha. Não importa se você tem nervos de aço, se tem coração duro ou mole. Se você é um torcedor apaixonado, vai ser fatalmente atingido pela adrenalina.

No final de um campeonato, o assunto ganha espaço. Na mídia, nas conversas de botequim, no almoço em família, no intervalo da escola, nas entranhas da internet. Nessa última chove gozação e pegação no pé entre os apaixonados e os “do contra”.

No final de um campeonato os apaixonados puxam a sardinha pro seu lado, ficam ligados a 220 volts, torcendo, gritando, gesticulando, roendo unhas, sofrendo. Não pensem que os “do contra” agem diferente. A emoção de ambos está diretamente associada à intuição, aos sentimentos, às partes impossíveis de serem estruturadas ou explicadas, à experiência de “experimentar”. A diferença é que um ganha e outro perde. Um sofre para ganhar e outro sofre porque perdeu. Um chora de felicidade e outro chora porque a felicidade não veio. E por ai afora. Tô errada?

E os vira-casaca? Esses também existem no final de um campeonato. São indivíduos que mudam de partido ou de idéias, conforme a conveniência própria. Danadinhos!

O que mais pode oferecer um final de campeonato? O incentivo ao esporte? O respeito ao adversário? O saber ganhar e saber perder? Diferentes pontos de vista? Relação causa e efeito? A resposta está com você, leitor.

Junho/2007 (após o término do Campeonato Gaúcho de Futebol entre Grêmio e Internacional)

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