Cadê o Rei?


Eu gostaria muito, mas muito mesmo de saber quem inventou a secadora de roupas. Se alguém souber, por favor, me informe, pois quero mandar-lhe uma correspondência de agradecimento. Um agradecimento pela utilidade do invento, juntamente com o desabafo de uma usuária inconformada pela periodicidade em utilizar tal equipamento. Não sei, ao certo, se é para o inventor que devo fazer o desabafo, mas alguém vai ter que ouvir, pois faz dezoito finais de semana que ligo a coitadinha na sexta de noite e desligo no domingo à tardinha. Tudo porque o Rei não aparece. Ele mesmo: o Rei Sol.

A utilidade do invento, ninguém pode negar, traz uma relação de benefícios, desde provocar exercícios contínuos nos braços da usuária até a substituição do Rei, o que não é pouco. E, no meu caso, tem ainda o fato de meu tamanho ser P sendo necessário uma cadeira para subir e estender as roupas nos pequenos varais. Mais exercícios físicos ainda. Bom para meu corpo, melhor ainda para minha brabeza.

Mas o que me deixa indignada é a ausência do Rei. Puxa, o cara é Rei, tudo bem, tem lá sua majestade, mas dezoito finais de semana ficar meio sumido, meio apagado, meio frio até, a ponto de não aquecer o suficiente as fibras das roupas, pára lá... haja paciência e grana para pagar a conta da luz. Quer saber? Já me candidatei à sócia da RGE. O número de quilowatts gastos mensalmente me dá este direito.

Há um desencontro atrás do outro entre ele e eu. Há alguns meses eu queria pegar a mala e ir embora por causa das intempéries da região da Serra. Resolvi o problema mudando de cidade. Agora, a constante utilização da secadora está me fazendo desistir do Rio Grande do Sul. Não me surpreenderia se me visse sentada na varanda de um bangalô no Nordeste, com a roupa toda sequinha, dobradinha em prateleiras improvisadas, sim porque estou topando até morar provisoriamente, desde que seja em um lugar onde o Rei apareça todos os dias.

E não é implicância não, sei exatamente das questões climáticas de minha região. Trata-se de gostar do meu dinheiro e também do Rei. Ele é amarelo vibrante, é grandão, tem boa abrangência, alegre, esfuziante, espalha raios quentinhos, mas sempre some quando preciso dele.
Falando sério: tem algo mais chato que ficar o final de semana todinho lavando, secando, passando, tudo de luz acesa no apartamento? Tem sim: morar num lugar desprovido de luz elétrica.

Neusinha Gedoz - 10.10.2008

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