A China Voa, Sem Asas



Depois de 08.08.2008, a cidade de Pequim mostrou ao mundo que sabe voar. Voar na tecnologia, na precisão, na sincronia, na acrobacia, na harmonia, na rapidez, no respeito, na concentração e na meditação. Ela voa mesmo. Pelo ar, pela terra, pela água, pelo fogo e pela mente. Pequim não tem medo de altura, fez misérias no ar durante abertura e o encerramento dos Jogos Olímpicos. Pequim não tem medo de seguir seus sonhos, por isso voa.

Pequim ensinou o mundo a voar em 18 dias. Ensinou como se voa em busca de uma conquista, como se sobrevoa por cima dos menos preparados. É verdade. Ela deu show, mas deu aula também, para alunos de 205 países. Pequim voou até sem asas nestes últimos anos para chegar com tudo em dia no dia 08 do mês 8 de 2008, às 8 horas e 8 minutos. Pequim não brinca quando voa, e é rápida para conseguir resultados. Tão rápida que construiu ninho de pássaro, cubo de água, estádios estupendos em pouquíssimo tempo, moldou atletas e preparou sua gente, milimetricamente sincronizada, para nos mostrar que no voo do pensamento está a precisão dos gestos. Em poucos dias, até apagou a poluição que anuviava a visão de seus fogos, fogos que ela inventou para comemorar suas vitórias. A China, com sua Pequim, é tão rápida que chegou em primeiro na soma de medalhas.

Durante as Olimpíadas, a China voou de volta para suas origens, fez paradas em cada passo de sua evolução como nação, como um povo que tem histórias mil para contar. Para voar como a China, antes de mais nada é preciso fazer uma pequena viagem para dentro de nós mesmos, fazermos amizade com a meditação e ficarmos grudados na concentração. E abusarmos da repetição. Essas são essas atitudes que nos levam à perfeição, à busca dos sonhos, à satisfação da vitória. Eu disse ATITUDES.

Voar, até agora, era para as aves, os aviões, os balões. A partir de agora voar é também para a China. Mas com o entusiasmo que a China coloca nas coisas que faz, não foi difícil para ela voar. E conseguiu voar até dentro de nossas casas, usou e abusou de suas capacidades e nos mostrou que conquistas não têm asas e sim persistência e competência.

Santos Dumont criou o avião para o mundo. A China ensinou o mundo a voar. Depois destas Olimpíadas, só não vai querer conhecer Pequim e a China quem é “ruim da cabeça ou doente do pé”. E pra lá, só voando.

Neusinha Gedoz - 29.08.2008

Read Users' Comments (0)

0 Response to "A China Voa, Sem Asas"