A Força de uma Bola

Que a bola existe, sabemos, faz muito tempo. Mas hoje parei para pensar na força que ela tem e naquilo que ela pode fazer, se deixarmos.
Primeiro preciso descrevê-la, caso alguém não a conheça: é redonda, tem dois lados (o de fora e o de dentro) e é utilizada para o entretenimento dos seres vivos. Hoje é feita de gomos de couro costurados um ao outro, mas aqui por estas bandas já foi feita de um amontoado de pano enrolado em um carpim (meia de nylon velha também servia de acabamento).
Utilidades de uma bola: entreter pessoas de todas as idades e algumas espécies de animais como elefantes, focas, pingüins, cachorros, gatos e outros que não me ocorrem agora. Geralmente este divertimento segue o estilo de competição, mas para as criancinhas ela rola muito, para cá e lá, sem destino, sem regras, aguardando um futuro mais equilibrado e profissional para a redondinha.
A força desta invenção é tão grande que junta milhares de pessoas, em um só lugar, pra ver uma competição onde ela é a estrela principal. Ela é tão poderosa que consegue enfileirar centenas de automóveis, todos seguindo na mesma direção e com os passageiros acenando bandeiras. Dependendo de onde ela estiver, pode ficar parada embaixo de uma chuteira; pode voar tão alto que faz a platéia espichar o pescoço para acompanhar seu movimento; pode entrar no cantinho de uma armação metálica e ser amparada por uma rede, arrancando gritos de alegria de alguns ou lágrimas de outros ou pode morar por um longo tempo em cima de um telhado. Sua força é tamanha que ela designa quem torce pra quem.
Bem, o que essa malandrinha faz com a gente é muito legal. Ela nos arrasta para a diversão, para a competição para uma grande emoção. Ela reúne famílias, amigos, vizinhos, parentes, sem distinção de raça, credo ou cor, sabe para quê? Para criar emoções novas, para testar corações, para encher os pensamentos de expectativas, para enfeitar uma cidade. A bola ajuda a mostrar a força do esporte, veste igualmente uma porção de gente fazendo uma bela decoração e mais do que isto, veste uma comunidade inteira.
Mas a grande força de uma bola é atravessar fronteiras. Sem passagem nenhuma. Ela viaja, de graça, na marca de uma camiseta.
Setembro/2006




























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