Talvez

Existem palavras em nosso dicionário que, quando bem aplicadas, podem nos trazer diversas reflexões e diferentes modos de ver a vida ou ver os outros. Uma dessas palavras para mim é “talvez”. Com ela consigo uma fila de raciocínios, um leque de opções para divagar e um balanço gostoso para brincar de escrever.
Se a gente falasse menos, talvez compreendesse mais. Se a gente tivesse menos, talvez soubesse o valor do “mais”. Se a gente chorasse menos, talvez sonhasse mais. Se a gente comesse menos, talvez soubesse a importância de não ter o quê comer. Se a gente comprasse menos, talvez comprasse a coisa certa. Se a gente acreditasse mais, talvez não morresse tão cedo.
Se a gente cantasse mais, talvez afastasse os males da vida. Se a gente falasse mais suavemente, talvez descobrisse que o grito dói. Se a gente amasse mais, talvez descobrisse que não é bom amar de menos. Se a gente perdesse mais, talvez desse mais valor àquilo que tem. Se a gente lesse mais, talvez conseguisse escrever mais. Se a gente ouvisse mais, talvez tivesse mais histórias a contar. Se a gente gostasse mais, talvez chorasse menos.
Se a gente mudasse mais o pensamento, talvez encontrasse respostas mais rapidamente. Se a gente fosse menos preconceituoso, talvez fizesse mais amigos. Se a gente escutasse mais música, talvez transformasse nossa voz. Se a gente poluísse menos, talvez não magoasse nosso futuro. Se a gente abraçasse mais, talvez sentisse mais calor humano. Se a gente esquecesse mais as ofensas, talvez nosso coração aumentasse de tamanho. Se a gente fosse mais sincero, talvez nossos filhos não soubessem mentir. Se a gente beijasse mais, talvez nossa boca falasse mais de amor.
Se a gente falasse mais com o coração, talvez não amasse à toa. Se a gente sorrisse com mais espontaneidade, talvez não visse máscaras nos rostos por aí. Se a gente enxergasse mais a carência, talvez pudesse suprir mais necessidades do que pensa. Se a gente fosse mais inteiro, talvez aprendesse mais lições. Se a gente não se deixasse enganar, talvez tivesse menos desilusões. Se a gente fosse mais gente, talvez pudesse ver quanto o outro é gente também. Se a gente fosse mais gente ainda, talvez não precisasse fazer comparações. Nem utilizar a palavra “talvez”
Neusinha Gedoz – 20 de Junho de 2008




























"Se a gente falasse menos, talvez compreendesse mais. Se a gente tivesse menos, talvez soubesse o valor do “mais”. Se a gente chorasse menos, talvez sonhasse mais".
Neusa, Paola, em grande forma!
Se agente julgasse menos, talvez chegássemos mais depressa à verdade!
Que belo texto, Paola.
o amor que a gente reprime eh a dor que a gente carrega vida apos vida