Trocando o Mau pelo Bom


Não preciso explicar muito sobre o título desta crônica, pois estas cinco palavras expressam-se bem. Mesmo assim, não posso me furtar de dizer da minha contradição em ver cenas diárias e ouvir notícias, também diárias, sobre coisas más, comprovadamente, mas alguns acreditam que sejam boas. Os que acreditam ser bons alguns produtos trazidos até eles na adolescência ou na juventude, sob o pretexto de oferecer subterfúgios para ver o mundo colorido, para ter sensações maravilhosas, para fugir dos problemas, podem estar equivocados, podem estar sendo enganados. E aqui o assunto merece atenção especial.

Quando caminhamos em ruas de uma cidade grande, uma metrópole, por exemplo, aparecem usuários de drogas, fazendo uso delas, de todas as idades no nosso caminho. Já não damos muita bola, pois em meio a uma multidão, com tantas figuras e suas nuances, fica difícil assimilar e pensar sobre o assunto, pois outra cena qualquer já se nos apresenta. Em cidades pequenas, a cena da meninada buscando o bom no mau nos choca. A gente fica sem ação. Parece que o mundo é deles e nós estamos atrapalhando.

Não sou autoridade no assunto nem autoridade no meu município, sou apenas uma cidadã que vê e revê as cenas. De toda ordem. Em todos os cantos. E quando vejo essa juventude que usa o produto mau por achar que é bom, penso que nesse caminho tortuoso não há pedras como empecilho. Nem pedras, nem nada. É bem assim mesmo. Muitos enxergam, poucos tomam partido.

Por certo, ninguém tem nada a ver com a vida de ninguém. Será? Será mesmo? Enquanto isso, o produto mau vai tomando conta de quem pensa que o produto é bom. O produto mau faz muito mal, mas o usuário se deixa levar e diz que é bom. O usuário é, muitas vezes, uma vítima, mas em muitas outras vezes, ele se faz de vítima. É mais fácil ignorar um bom produto que tenha que buscar em uma biblioteca, em um cinema, em uma conversa bacana com os amigos ou com a família do que receber, sem esforço nenhum, um mau produto, só porque lhe dizem ser bom.

Esses tais produtos maus, que chegam ao público na forma de líquido, de pílula, de pedrinha, de pó, de o raio que o parta, mexem com a personalidade, com o estômago, com a mente e com o comportamento das pessoas. Poderá ser bom um produto assim? As estatísticas provam que, as pessoas que usam produtos maus pensando que são bons, caminham para dois extremos: ou se arrependem mais tarde e acabam sendo bons exemplos para a sociedade, ou levam suas famílias a tomar decisões sobre elas, antes que a própria morte se encarregue de revelar o desfecho. Ou seja, comprar, consumir e apreciar produtos maus não leva ninguém a lugar nenhum que seja bom. Geralmente o final da história é triste, deprimente e trágico.

Então, por que nos calamos? Por que nada (ou quase nada) fazemos para ajudar a sumir das ruas o produto mau? Por que nos afastamos do problema ao invés de enfrentá-lo de frente? Tenho uma lista de produtos bons a sugerir, todos à disposição em nossa cidade. Vamos lá: frequentar o Cine Ideale, retirar livros na Biblioteca Pública, fazer um curso de violão, aderir à ABAPA - Associação Barbosense de Proteção aos Animais, ir com a galera a um bar para ouvir música ao vivo, fazer um curso de línguas, assistir aos jogos da ACBF, aperfeiçoar-se em um curso de informática, aprender uma Dança de Salão, praticar um esporte radical, frequentar uma academia, inteirar-se da rotina dos Bombeiros Voluntários, visitar o Centro de Convivência do Idoso, ser voluntário em alguma Instituição, ajudar a Liga Feminina de Valorização à Vida, dançar em algum CTG, estudar para um vestibular, fazer um curso de cabeleireiro e outros tantos produtos comprovadamente bons.

A atitude de trocar o mau pelo bom, em todos os sentidos, tem nos mostrado o quanto é bom viver um dia após o outro. Sem causar problemas à família, sem chamar a atenção na escola, sem se expor ao julgamento da sociedade, sem provocar situações embaraçosas, sem ter que dar explicações indesejadas. Todos esses desconfortos somem quando a gente é do bem, faz o bem e procura conviver somente com produtos bons.

As escolhas da juventude determinarão o sucesso ou o fracasso do resto de nossas vidas. Cabe a reflexão da sociedade sobre qual o melhor produto que queremos “consumir”: o bom para uma vida plena, longa e feliz, ou o mau produto, destrutivo, sem futuro, já sem alma, sem vida.
(Um agradecimento especial a Janaina Zaro Belmonte pela colaboração na feitura deste texto).

Março/2009

Read Users' Comments (1)comentários

1 Response to "Trocando o Mau pelo Bom"

  1. Anônimo, on 24 de outubro de 2009 10:44 said:

    NAO TINHA O QUE EU PRESCISAVA POR ISSO CONSIDERO UMA MERDA...