O Sonho de um Bombeiro

Estou sempre em busca de assunto para escrever. Às vezes pego uma história particular da mala, a chamo de experiência e meto parágrafos nela. Outras vezes, uma simples frase de alguém rende um bom texto. Não sei se este que vem a seguir conseguirá ganhar o corpo que quero dar a ele. Mas que merece, merece.
Ontem, ao passear por um espaço especial, inaugurado há seis meses no município de Três Coroas, no meu Estado, cliquei o botãozinho milagroso da minha digital umas 70 vezes. O lugar pedia fotografias. Margeando um rio que atravessa a cidade o local é extenso, muito bonito, bem planejado, com a estrutura que o ponto exige: corrimões, bancos, escadas, lixeiras, parque infantil, árvores, luminárias, ponte, rio, tudo.
Ao movimentar minha máquina em direção a um casal de namorados que estava sentado (não era o meu foco), o moço levantou-se educadamente, oferecendo-me a oportunidade de uma tomada melhor para a foto. Agradeci-lhe e disse que não estavam atrapalhando de forma alguma. Estavam, sim, dando vida ao parque. A partir daí, quebrado o gelo, iniciamos um diálogo. Simples, mas consistente. Perguntou-me de onde era; elogiei o local, dei os parabéns pelas instalações.
Quando falei isto, seus olhos voaram pra cima de papéis e garrafas pet que estavam no chão, próximos do seu banco. Tão rapidamente quanto o olhar dele, meu pensamento já sabia o que ele iria dizer. E disse: “sabe, sou bombeiro e fico triste quando vejo o lixo fora do seu lugar. Estou fazendo um projeto, em nome da Corporação, para apresentar nas escolas, com a finalidade de conscientizar as crianças sobre o lugar correto do lixo. Mas quero lidar com criancinhas, bem pequenininhas, aquelas de creches e séries iniciais, para que cresçam sabendo sobre o destino correto do lixo”.
O nome desse bombeiro é Luiz. O sobrenome é Coragem. Por Dios, correu-me um arrepio emocionado pelo corpo. Um rapaz de mais ou menos 20 anos, bombeiro, em pleno 2009, ainda tentando mudar uma parte do mundo. Ele sabe que é um grão de areia no oceano das arrumações dos problemas sociais e com essa sensibilidade deve saber que o barco que vai levá-lo a uma provável solução fará um longo trajeto.
Quantos Luiz vamos precisar ainda? Quantos projetos deverão ser elaborados? Quantas crianças entenderão que lugar de lixo é no lixo? Não tenho a resposta. E já sei que não terei tão cedo. Aqui, rendo-me mais uma vez a um verso do cantor latinoamericano Dante Ramon Ledesma: “quantas palomas necessita o mundo para que o homem possa acreditar na paz?” O sonho do bombeiro Luiz é tão simplesinho que ele quer começar a implantar junto aos pequeninos por que ele sabe que esse público não complica nada e leva o maior jeito para aprender.
Esta crônica trata do óbvio do óbvio. O assunto é batido todos os dias. Chega a ser cansativo, mas em se tratando do projeto do bombeiro Luiz, pode começar a mudar. Com simplicidade e palavras adequadas dirigidas ao público certo.
Neusinha Gedoz – 17.05.2009




























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