Dança com Lobos


Kevin Costner que me perdoe, mas não pude colocar outro título nesta crônica, e vou-me desculpando logo no início para continuar escrevendo sem constrangimento. Tudo que vi nessas mais de duas horas de filme, vêm confirmar aquilo que um amigo meu comentou há alguns dias: “a fita é imperdível, envolvente e linda”, dizia ele.

O amor. O amor nas suas diversas formas é tão envolvente que, mesmo sendo abstrato, tem cor. Em cada cena ele tem uma cor diferente. É vermelho na pele suada dos índios; é cinza no pêlo do enigmático lobo, é rosado nos corpos saudosos de amor do casal branco; é pardo no conforto do lombo dos cavalos; é transparente no vaivém da pradaria e é preto no coração dos soldados.

As mensagens. Ah, as mensagens que entraram no meu coração, dificilmente sairão de lá (que bom que somos providos desse órgão), pois são tão lindas que a minha alma certamente quererá possuí-las para sempre, ou pelo menos até que ... sabe lá Deus quando alguém consiga reunir tanta magia e conteúdo num mesmo filme.

A fotografia. É multicor. É frutacor. É toda cor. É brilhante e triste ao mesmo tempo. Não sei como conseguem fazer essas maravilhas. Por diversas vezes peguei carona no arco-íris e fiz viagens fantásticas, que me ensinaram a distinguir até a cor do vento.

Puxa, como esta crônica é séria. Foge dos meus padrões meio cômicos. Mas não poderia ser diferente. Falo de um assunto sério. Falo de um filme que retrata o trecho de uma canção que diz: “no peito, ao invés de medalhas ... cicatrizes de batalhas...”. E cicatrizes são igualmente sérias. Nos ensinam a viver.

Feliz de quem participou dessa obra. Feliz de quem assistiu essa obra. Feliz de mim.

Neusinha Gedoz - Agosto 1991

Read Users' Comments (0)

0 Response to "Dança com Lobos"