Não entendi essa diferença !

Estou escrevendo este texto muitas horas antes do Fantástico que irá ao ar esta noite. Estou indignada e preciso passar isso adiante. Quero saber se alguém sabe me explicar que diferença há entre Diego Hipólito e Pelé, reservadas as suas especialidades como atletas e suas performances, enfim, reservadas algumas coisas que comprovam que ambos são duas pessoas e, portanto, diferentes.
Às vezes penso que este país onde moro não é de verdade. Alguém lembra daquele programa antigo de TV, que passava no sábado à tarde, A Ilha da Fantasia? Pois é. Penso que estou por lá todos os dias que escuto algo assim como esta história dos atletas em questão. Acontece que nesta semana que passou, houve uma notícia minuteira - cujo tempo se igualou, ou foi menor que o tempo do circuito elétrico das lâmpadas que são colocadas nos corredores dos prédios para apagarem-se sozinhas - sobre as duas medalhas de ouro que Diego Hipólito, o nosso maior ginasta olímpico, recebeu em um único dia dentro do mês de maio.
Em momento patético, a mesma rede de TV anunciava, desde a quarta-feira, diversas vezes ao dia, que Pelé iria contar no programa Fantástico o porquê de estar cortando o cabelo. Senhoras, senhores, jovens, adolescentes e crianças: é de cortar o coração: o menino que ameaçou de parar com a ginástica, há duas semanas, por falta de patrocínio, teima em pular no solo, se atirar no ar, fazer mil piruetas, voando de país em país representando esta república das bananas e trazendo para casa medalhas douradas no peito. Esse menino ganha “alguns restritos” minutos (um, dois ou três no máximo) na mídia, enquanto o Pelé, que já teve seus méritos, todo mundo sabe, ganha inserções e mais inserções no mesmo canal televisivo.
Ou eu desaprendi a matemática, ou alguém está errado. Ajudem-me. No momento em que o Brasil precisa de heróis, não deveria ser ao contrário essa contagem de minutos? Não deveria ter mil aparições o menino das medalhas e uminha só já bastava para contar a história do cabelo do Pelé. Neste momento, quando faltam mais de 5 horas para iniciar o programa do nosso final de domingo, vejo mais um inserção da propaganda sobre o corte do cabelo do Edson Arantes do Nascimento dizendo que ele fará um diamante com o cabelo e presenteará sua mãe. Bonito. Lindo. Maravilhoso. Mas que tanto alarde por causa de um cabelinho enroladinho virando um anelzinho para dar a sua mãezinha?
Enquanto isso, o pobrezinho do Diego, com faixas nos pulsos e nos pés, voa a mais de 5 metros com a camisa verde e amarela, com a bandeirinha do Brasil bordada no peito, para mostrar ao mundo do que é capaz, e é mesmo. Ele pensa em abandonar o esporte que tanto ama, porque no nosso país não há quem o patrocine. (acho que você não deve levar isso a sério, deve ser uma piada). Nem o Pelé, que já foi atleta humilde e conhece as agruras de uma carreira, nem esse se sensibilizou. Eu se fosse ele, faria a jóia para leiloar em prol do Diego. Eu faria isso. Mas ele não faz. Mesmo assim continuo me emocionando quando ouço o Hino Nacional.
(Neusinha Gedoz – 31 de maio de 2009 – 10h30min)




























Olá Neusinha, parece que vivemos num país de faz de conta as avessas. Nossa felicidade é ainda encontrar o belo a nossa volta. Te convido a viver emoções e celebrar a vida. Abraços, Julio Cesar.
Algumas coisas s~ão inexplicáveis.