Homens Sem-Vergonha de Perto

No último fim-de-semana de maio meus neurônios fizeram festa. Meu cére-bro fez um baile. Meus ouvidos quase não davam conta de traduzir o besteirol para acompanhar a dança das palavras proferidas pelos três Homens de Perto. As fra-ses se entrelaçaram. Se enrolaram. E os malandros tripudiaram em cima da platéia. E nem sequer se intimidaram pois era uma plateiona, diga-se de passagem. Tão simpática e educada que eles até a “alugariam”. Mas foi mais que bom e mais que ótimo: foi bótimo. Quase duas mil pessoas viram o que eu vi, e devem ter lavado a alma com aquela míngua de água, cheia de cultura, que a magrelinha coadjuvante trouxe de lá atrás para eles.
Há tempos que não vinha para cá uma peça teatral, ou um jogral de três ma-lucos, ou um show de piadas que parecem improvisadas, ou uma hora e quarenta de bobagens deliciosas, com um figurino inquieto. Tão inquieto que um deles se misturou a nós, pobres mortais, despreparados. Quanto mico a gente paga com es-ses três. Chamem o espetáculo do que vocês quiserem. Mas se alguém disser que não foi bom gargalhar, “ou é ruim da cabeça ou é doente da garganta”.
Eles vieram de Porto Alegre, ensaiaram de montão aquelas asneiras todas e ainda cobraram cachê. Acho que o Honorato era mais sensato. Certamente se ele estivesse aqui, daria outro rumo para o trio. Sim, porque eles não perdoam. Até a pobre magrelinha da moça ajudante tropeça (de tanto que corre) em si mesma para agradá-los. Como será que era o Honorato? Gordo, careca ou bicha?
O cenário é de uma pobreza franciscana. Um pano vermelho, que deve ser o mesmo desde a primeira apresentação e três cadeiras “Tonart”, disse-me o Diretor Monastério. De vez em quando aparece um peleguinho, umas plumas de mulheres mal resolvidas, uns panos de pelúcia, uns violões (instrumentos musicais, viu?), umas gravatas com cifras, e umas rouponas de bailarinas. O texto? Cheio de pala-vras sem-vergonha. Tudo beirando o ridículo, mas próximo da perfeição.
Vergonha? De quê? Pra quê? Teatro é teatro. Cultura é cultura. Homens são homens. Esses três estão perto do público porque o Honorato morreu. Que bom. Assim tivemos a oportunidade de ver esse trio simples e cheio das sabedorias. E a primeira delas é a própria simplicidade. A segunda é o profissionalismo. A terceira é a cara de pau.
Obrigado PROARTE pela injeção de cultura uma vez ao dia.
Neusinha Gedoz - 17.06.2006




























são três.três o quê?
patetas.do quê?
do sorriso,e alguém vibra,todos gargalham.
ah!tristeza ali,não.
primeira fila,não sabe se memoriza para escrever ou larga e se perde nas gargalhadas.
ética para gargalhar naquele momento que é só alegria?ética para esquecer naquele momento o inferno?
não,não e não.
a barriga sacode,as lágrimas descem,alguns já soluçam.
ela ali,atenciosa...é preciso que o mundo saiba
que por algum tempo esquecemos todas as tritezas,e com as gargalhadas mostramos àqueles três patetas,que eles conseguiram...
e acima está um relato para quem não gargalhou lá,mas gargalhou cá.ela conta ,e como se desse conta ,escreve , conta e ouve as nossas
GARGALHADAS
ADMIRO SUAS MATÉRIAS,SUA CULTURA,SUA ARTE...
PARABÉNS!