Dor de Garganta Filha da... Garganta

Garganta é um órgão que fica próximo à extremidade superior de nosso corpo. Mais precisamente é um buraco que temos aos fundos da boca, e que possui três protuberâncias: duas amígdalas e uma úvula. Ali por perto moram a laringe e a faringe. São todas parentes. Que desgraça. Quando dá pra doer, principalmente se for duas ou três ao mesmo tempo, parece que temos que arrancar algo de lá de dentro a força.
Outros agravantes que adoram acompanhar a dor de garganta são a febre e a tosse. Quando chegam essas duas, o festival de vírus e bactérias está formado; uma maravilha de sofrimento. Tudo dói, tudo tranca do pescoço para cima, e se você é mulher fica com voz de homem. Eita mico filho da... garganta. Pra melhorar a situação, só metendo remédios goela abaixo. Ou injeção na bunda. Você escolhe.
Essa dor é tão popular e tão abrangente que, em cidades onde muda a temperatura facilmente, tipo assim, três vezes num só dia (o leitor sabe de qual cidade estou falando), a dita cuja aparece do nada. Simplesmente se instala e começa a trabalhar. O inverno é o grande aliado dela e ajuda a engordar as estatísticas de internamentos nos hospitais, fazendo todos iguais na dor.
O pescoço, que guarda a garganta lá dentro, é muito respeitado quanto às intempéries que podem atingir a coitadinha. Para ele foram desenhados e criados diversos adereços: gola alta, gola olímpica, gola de pele, mantilha, cachecol e a famosa manta de lã, que deve ser enrolada ao pescoço para protegê-lo. Ah, tenham a santa paciência, uma manta pode cobrir um pescoço mas não evita a entrada daqueles bichinhos do hã hã na boca.
Os tais vírus e bactérias são seres extracorporais, que insistem em visitar cavidades alheias, sem distinção de raça, cor e idade. Para eles não há limite de vezes em se instalar numa garganta: eles o fazem quando querem e quanto querem. Por esse motivo, volta e meia somos atingidos no dia de dar uma palestra, na hora de apresentar um trabalho de aula ou na noite nacional do sofá. São ossos do ofício. E dói também para engolir esses aí.
Que atire o primeiro envelope de antibióticos quem nunca teve uma infecção de garganta ou uma inflamação daquelas que gera atestado médico para entregar no RH. Por aqui, a pastilha para o alívio da dor de garganta é tão famosa no inverno quanto o Epocler no Festival do Queijo.
Que venha o verão, mas sem queda de pressão, por favor.
Neusinha Gedoz – Junho de 2008




























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